Tchau, amigo Eder.

E, como diria o Person: Recomeçar.

Aqui estou, de volta à conversa.

Meio que viciei em conversar com os amigos via blog.

Fiquei uns dias fora.

De cara, esclareço aos amigos que perguntam: nenhum problema com a Folha, a não ser os terríveis, famigerados “cortes de despesas”. Levaram o velho blog embora.

Volto ao meu canto.

Aqui recomeço, aqui eu me lanço, aqui recomeço meu começo.

Como diria, mais ou menos, o Haroldo de Campos.

O problema: teria muitas coisas a dizer e não quero aborrecer ninguém.

O restauro dos primeiros filmes de Edward Yang e Hou Hsiao-Hsien que passaram em Bolonha. Sobretudo o Yang, soberbo.

A beleza dos filmes do Stahl pré-Código Hays.

Meninas de 20 e poucos saindo de olho inchado das sessões, de tanto chorar.

Porque não importa se o filme tem um ano ou oitenta. Se o que estiver lá for verdade, fica de pé, continua vivo.

Mas o melhor da Cineteca de Bolonha, agora, é o Projeto Keaton. Restauro de TODA a obra de Buster Keaton entre 1920 e 1928.

Quero falar do que passou lá. Depois. Mas espero que logo comecem a chegar aqui os restauros.

E a exposição Lumière, fabulosa.

E a exposição Edward Hopper, com obras do Whitney Museum: Hopper é o melhor diálogo da pintura com o cinema.

Mas, acima de tudo, antes de tudo, está o Eder Mazzini.

Foi-se o Eder. Não pude escrever uma linha sobre ele, porque estava na Itália e já sem o blog da Folha.

Foi, primeiro, meu assistente. Rigoroso. Do tipo que não dizia “está bom” até que estivesse bom, ou que ele achasse bom (não precisávamos concordar sempre).

Um quase engenheiro. Largou a faculdade para fazer cinema e, logo que chegou, foi logo inventando modos de apressar o trabalho, de voltar o rolo de modo mais rápido na moviola.

Eu, que sou uma negação, só repetia o que o Sylvio Renoldi me ensinou. O Eder foi aperfeiçoando. Era um engenheiro, sem dúvida.

Depois foi montador, e dos melhores. Exato, elegante, com noção de tempo e estrutura muito fina.

Mas foi sobretudo um amigo, sempre, desses em que se pode confiar sempre e sempre.

Fiquei horrível quando soube que morreu.

A Beth, sua esposa, disse que entrou no hospital com uma gripe ou coisa assim, mas aí o coração desandou, já não se estabilizava. Foram três dias. De repente, quase de repente.

Fiquei puto. Terrível, perder outro amigo do cinema. Outro desses amigos de sempre. Que a gente sabe ser amigo mesmo quando não consegue se falar.

Depois da montagem, depois de ser produtor do “Filme Demência”, inclusive, esteve na TV Cultura, na Secretaria de Cultura, na Film Comission de São Paulo e agora tinha acabado de se aposentar, menos por gosto do que por conta de um secretário de Cultura municipal tolo o bastante para não aproveitar tudo que ele acumulou de conhecimento prático e teórico de cinema.

Bom repouso, caro amigo.

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5 comentários em “Tchau, amigo Eder.

  1. Il Cinema Ritrovato: TARDA PRIMAVERA. UN NUOVO SGUARDO SUL CINEMA DEL DISGELO (SECONDA PARTE: CREPUSCOLO). Inacio você poderia comentar o Cinema do Degelo da União Soviética, cuja primeira parte passou o ano passado, já que nós brasileiros conhecemos tão pouco sobre esse momento do cinema sovietico.

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  2. Maravilhoso você voltar a escrever em seu próprio espaço. Estou muito, muito feliz de poder ler seus textos, já que não assino folha de s.paulo, nem tinha pretensão de assinar. Bem-vindo e obrigada por sua generosidade em brindar com seus ótimos textos.

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