Riso e histeria com o Porta dos Fundos

contrato-vitalicio

Bem que eu ri, e às vezes muito, em “Porta dos Fundos – Contrato Vitalício”. Esse é o primeiro fim da comédia, não?
E existe algo, como uma continuidade, entre este “Contrato” e “Entre Abelhas”. Ambos realizam, me parece, uma visão que é antes de tudo de Fábio Porchat, embora seja partilhada por boa parte do grupo: a ideia de um estranhamento do mundo.
Em “Entre Abelhas” o protagonista via as pessoas ao seu redor desaparecerem. Aqui, seu comparsa (o Duvivier) some e reaparece, anos depois, com uma história maluca (abduzido por aliens que ocupam o centro da Terra) e disposto a fazer um filme a respeito.
Tudo bem. O problema inicial talvez esteja no fato de todo o grupo, ou quase, estar envolvido no projeto. E todos, de um modo ou de outro, elevam o tom à sandice. Não é um nem dois fazendo o histérico (próprio de Porchat, sobretudo), mas praticamente todos.
Então vem a parte de aprendizado para o Ian SBF, que é diretor de muitos trabalhos dessa turma na internet. Acho que seria bom fazer uma imersão nos filmes do Jerry Lewis, sobretudo os feitos com o Frank Tashlin.
Porque na internet trata-se de entrar de sola na gag. No filme, não. Convém preparar a gag, deixar um período sem humor, surpreender o espectador.
Também servem os bons filmes, mais recentes, do John Landis, ou mesmo dos Farrelly.
Seria conveniente inserir alguns personagens que sirvam de escada, que não façam humor, que sejam as pessoas “normais” da história. Isso dá ao filme uma ritmação e ao espectador um descanso entre duas gags.
Isso é mais do que tudo função do diretor.
Já o elenco tem o dom do humor verbal, mas seria interessante a alguns deles aperfeiçoar o humor visual (e mesmo musical, se for o caso). Basta lembrar os Irmãos Marx, no caso.
Faço essas ressalvas porque me parece um grupo com humor de sobra para cinema e com talento para ser desenvolvido. A gente, eu pelo menos, saí do cinema um pouco tonto com tanta agitação, tanto barulho, mas sem esquecer os momentos muito bons de um filme onde há uma ideia a desenvolver.

Babenco
Outro? Não… uma epidemia.
Mas Babenco viveu sob o signo da morte próxima e no entanto parecia ignorá-la quase sempre.
Seu “Coração Iluminado” é um belíssimo filme, a primeira metade.
Se bem me lembro, Xuxa Lopes diz que parte dele foi dirigida com Babenco quase à morte.

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