PM num fim de quermesse…

Foto: Mídia Ninja
Foto: Mídia Ninja

Estava no Largo da Batata bem quando o protesto anti-Temer chegou ao final. Havia bandeiras do MST, pessoas que cantavam o Hino Nacional, um locutor que orientava as pessoas no sentido de não aceitar provocações.
Mas o clima era de quermesse de igreja que chega ao fim.
Minha intenção era pegar o metrô, mas a porta da estação estava fechada. Não havia policiais ali, vi apenas um funcionário controlando a entrada das pessoas. Me pareceu um controle de fluxo e, como não sou chegado em metrô lotado, muito menos nessas circunstâncias, sugeri ao meu filho, a quem fora encontrar, que seguíssemos a pé em outra direção. Providencial prudência…
Tudo estava calmo, até calmo demais. Havia pouca gente na praça, naquele momento.
Isso foi o que vi. Não vi nenhuma imagem na televisão (o ato não existiu na TV, aparentemente: seria tão insignificante que não vinha ao caso informar a respeito? Não sei: isso me lembra mais a atitude da Globo no tempo das “Diretas Já”).
Voltando ao assunto: como explicar a ação da polícia que se seguiu? Não entendo.
Ou por outra, até entendo: essa é a PM do cão de guarda de Alckmin, hoje ministro da Justiça, que deve ter deixado algum preposto no lugar.
O que veio depois eu soube através do meu filho que recebia pelo celular notícias de um amigo que estava se escondendo da polícia, que fechara a praça.
Me perguntei como isso podia ter acontecido. Não sei. O rapaz também não sabia.
Admitamos, como afirmou a PM, que havia vândalos exigindo a abertura das catracas.
Seriam poucos, porque não havia tanta gente assim. Era um clima de fim de fim quermesse.
Mas vamos supor que isso tenha mesmo acontecido. Não houve repórter que tenha atestado depredações no Metrô (não estavam lá, não significa que não tenham havido). A polícia não apresentou uma mínima prova de depredação.
Ao mesmo tempo, se algo aconteceu no interior do metrô, me pergunto o que poderia justificar uma ação na praça e nas redondezas da praça, bloqueando saídas e tudo mais. Essa reação selvagem…
Mesmo supondo que tenha havido ações de depredação, elas terão sido muito localizadas e a reação policial muito generalizada.
Uso a palavra reação com reservas. A ação policial opôs-se de algo que talvez nem tenha acontecido, de que a polícia não apresentou nenhuma evidência (ou por outra: a ação policial seria a própria evidência do ocorrido: tautologia inaceitável logicamente e desexplicação menos aceitável ainda se estamos num Estado democrático, ainda que precário).
Quer dizer, me parece que a ação policial é outra coisa que está por ser explicada, se é que se quer explicá-la (temo que não) ou que se possa explicá-la (suspeito que não).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s