Aquarius

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Uma diferença entre “Aquarius” e “O Som ao Redor” é que no novo filme de Kleber Mendonça já não existe enfrentamento entre uma classe social superior e outra inferior. Desta vez o conflito ocorre entre o que se pode chamar de “elite”, de um lado, e “aristocracia” de outro.

Resumindo: há de um lado aqueles que colocam o dinheiro acima de qualquer outro valor, e os defensores de valores outros, chamem-se ética, memória, bom gosto ou o que seja.

Nem sempre é fácil distinguir os lados, ou isolá-los. Os filhos de Clara, por exemplo, parecem se colocar muito mais do lado da elite do que Clara. E entre os mais pobres os valores de convivência podem ser muito mais aristocráticos do que entre outros.

Esse tipo de desarranjo favorece, acredito, a penetração internacional desse belíssimo filme. Esse conflito entre o aristocrático que se reconhece em outras classes sociais e a elite que busca a emergência econômica a qualquer custo não é um problema local (como o de “O Som ao Redor”, e sem estabelecer uma diferença de valor entre os filmes), mas mundial.

Claro, aqui no Brasil o filme será impulsionado pela falta de jeito do novo governo, e não são poucas as sessões que acabam em aplausos ou em sonoros “Fora Temer”. De certo modo, é bom para não imaginarmos que todo o povo brasileiro só pensa em soluções policiais e assina embaixo de “Tropa de Elite” o tempo todo.

Temos problemas em várias áreas. Será melhor se isso não for visto apenas como uma questão de partido.

SP Cine

De repente, abro o jornal na página dos cinemas e vejo que a SPCine instalou quase vinte novas salas de cinema nos CEUs.

Ao contrário do que se poderia imaginar (a começar por mim), nada de programação exclusivamente nacional, esse tipo de coisas……

Uma programação bem equilibrada é o que eu vi lá: há um filme infantil, um brasileiro, um estrangeiro etc.

Com toda clareza, trata-se de levar o cinema a um público que normalmente não tem acesso às salas comerciais, sem pregação tipo só podemos ver filmes nacionais para formar um público sem preconceitos e essas coisas que, já vimos, não funciona.

Não sei se isso já acontece ou mesmo se é viável, mas a SPCine poderia promover de vez em quando sessões com diálogos após os filmes. Hoje existem inúmeras faculdades de cinema e, certamente, alunos capacitados a introduzir as pessoas aos filmes que se vai ver. Não se poderá fazer isso a toda hora, claro, mas uma vez por semana e mais o apoio que se pode transmitir através de blogs e sites ajudaria muito a aprofundar a experiência estética proposta.

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