DVD News (e Argentina)

 

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Saiu a caixa Faroeste 4 da Versátil e parece um milagre: enfim, saiu “O Homem do Oeste”, do Anthony Mann, em cinemascope, como o Senhor manda.

Antes saiu em versão plana. Acho que no século passado. Uma vergonha: era um terço do filme.

Pior que isso só ver “El Cid” na televisão, como se fazia antigamente. Também exibiam em plano o que era cinemascope. Tinha hora em que a gente via o nariz do Charlton Heston de um lado e o da Sophia Loren do outro.

Agora tem “O Homem do Oeste” inteiro.

E tem ainda “Paixão de Bravo”, aquele faroeste de rodeio do Nicholas Ray, fabuloso. E outro Nicholas Ray: “Fora das Grades”, com o James Cagney, que eu ainda não vi.

Tem um Richard Sarafian, “Fúria Selvagem”, que na minha lembrança não era memorável, mas posso estar enganado.

Ah, e um belo documentário sobre Anthony Mann nos extras.

Enfim, uma caixa engalanada.

Kóblic

Ouço de todo lado falar de “Kóblic”.

Gosto de alguns aspectos do filme.

O primeiro é o clima, a atmosfera do filme: há um suspense que não vem do filme, vem da ditadura militar. Respira-se. Está no delegado, está no cara ciumento: atravessa as pessoas.

O segundo é o Ricardo Darín: um bom papel, um tipo diferente. No geral, o elenco é bem bom, aliás.

O terceiro é a relação com a natureza: “vertigem horizontal”, disse Drieu La Rochelle a Borges ao visitar a região. Esse pampa deserto, vazio, angustiante. Isso é tudo muito bom: funciona como imagem árida da Argentina ditatorial, mas também um refúgio que percebemos frágil, devassável.

O quarto é a construção: estamos diante de um tema difícil, os voos da morte, que são provavelmente o crime mais hediondo da ditadura argentina.

Como abordá-lo? A ideia de tocá-lo indiretamente, através do piloto que se recusou a executar pessoas, é uma boa opção.

Aí começam os problemas: a insistência nos pesadelos do homem, aliás sempre repetidos, tendem a tornar as coisas mais pesadas do que seria necessário.

Aliás, a direção toda sofre de uma certa mão pesada, de carregar nas tintas ali onde podia bem descarregar: as coisas são pesadas por si. Determinadas ênfases são desnecessárias. A questão da desconfiança geral entre as pessoas quase vai de si, embalada por todos os itens que listei acima, mas parece que o diretor não tinha confiança nisso e sentiu necessidade de tornar tudo mais evidente.

Apesar disso, as virtudes carregam o filme. Bem assistível, bem razoável, em suma.

Outro filme de que ouvi falar muito é o último Tim Burton, “O Lar das Crianças Peculiares”. E me decepcionou consideravelmente

Embora comece muito bem, desde que entra na tal fenda estamos diante desses universos meio de animação, meio infantis, meio “infantil para adultos”, que é a parte da obra de Burton que menos consegue me mobilizar.

Que dizer? Burton tem um sentido seguro do fantástico, entra e sai de sonhos, transita entre ficção e imaginário com bela desenvoltura.

O fato é que seus personagens são, a rigor, um tanto inúteis. Essa bateria de “qualidades” das crianças peculiares nos leva ao nada, no fim das contas.

Mas o filme tem Eva Green. Talvez por causa do traje preto, talvez por causa de já estar ficando mais velha, talvez porque Burton tenha forçado a mão nessa direção, ela está um pouco parecida, às vezes, com a Joan Crawford do “Johnny Guitar”.

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