Snowden em Stone

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Achei bem interessante o “Snowden” do Oliver Stone.

Ele está na mesma linha de “Wall Street”, de que lembro como seu melhor filme.

Stone se dá bem em situações onde precisa revelar, com relativo didatismo, situações complexas.

E o começo do filme é bem isso. Junto com Snowden entramos nos serviços de informação da era contemporânea.

Vale dizer, internet e similares. Mundo de hackers. Disso é feita a espionagem atual. Mas, claro, as dimensões são inimagináveis, e é a nos introduzir a isso que o filme dedica a primeira parte.

Começa com o entusiasmo de Snowden, depois suas primeiras dúvidas em relação ao aparato de controle, e um crescendo bem levado de dúvidas e desconfianças, o que começa a atingir sua mulher. É o momento em que Stone cria a personalidade da personagem. Podia ser lento ou confundir uma coisa e outra, mas Stone é bom nessas situações: leva os dois com habilidade. E constrói um Snowden mais interessante que os tipos de wall street, que eram só ganância e seus complementos.

Quando sua resistência ao trabalho já é clara vem o que vejo como a melhor cena do filme: quando Snowden, mínimo, conversa com a imagem, enorme, tomando toda a parede, de seu chefe.

A conversa é quase mansa, mas o tamanho do rosto é assustador. A gente sente Snowden sentindo isso.

É o momento em que o filme sobe. Depois existe um suspense bem administrado, que leva ao final.

Não vale falar mal da baboseira final: são coisas tão obviamente impostas que espero mesmo que sejam impostas.

No fim, claro, Stone está discutindo se os EUA estão certos ou errados em toda essa história, ou antes, está procurando nos convencer de que isso é mesmo criminosos, o que, francamente, não é difícil.

O que eu fiquei sem entender (e que faz parte da vida real, não do filme) é a razão de os EUA tratarem o cara tão ostensivamente como traidor e o jogarem nos braços da Rússia. Ele estaria bem e quieto no Equador, e sossegado. Na Rússia? A que preço estará saindo sua estadia por lá?

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Um comentário em “Snowden em Stone

  1. Já eu me pergunto os por quês dos maiores líderes mundiais não terem enquadrado Obama/EUA depois destas revelações do Snowden (e se enquadraram, qual foi a negociata), como tudo pode se manter como antes sem nenhuma vistoria internacional, como depois destas revelações não se exigiu qquer certeza de que as práticas foram abandonadas, como não houve nenhum tipo de sanção (sabida) para os EUA por ter se beneficiado de informações privilegiadas. E por fim, vendo o filme fico com a certeza de que para uma boa parte da platéia deste filme (ou a platéia das revelações do Snowden à época que as fez) vale a máxima do Roger do Ultraje a Rigor quando respondeu ao Marcelo Rubens Paiva: quem não tem nada a temer, não se deu mal na ditadura. Ou seja: talvez a repercussão tenha sido fraca pq a hipocrisia reina, pq os cidadãos que acreditam na ladainha do monitoramento de atividades terroristas achem que suas vidas são tão insignificantes que os governos não se interessarão por elas, e vigiarão quem deve ser vigiado apenas, e que o resto é necessário para isso. Poucos se dão conta de qto perdemos ao perder nossa privacidade.

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