“The Crown” ou a monarquia é um espetáculo

thecrown

À primeira vista, “The Crown” parece uma série patrocinada em via reta pela Casa de Windsor. Lá está, para começar, a jovem princesa Elizabeth mostrando de cara quem é: fecha questão sobre casar com um jovem de nobreza nova, grega e meio malvista.

Logo morre Jorge VI e a princesa deve sucedê-lo de maneira prematura. Que fazer? Como se comportar?Qual o limite do poder de uma rainha?

Veremos que o trono é uma vida de renúncia. Nem o seu secretário pessoal ela pode escolher. É preciso ter o mais preparado para o cargo, aquele que pode lhe dar os melhores conselhos etc.

Esses conselhos são, em grande parte tautológicos: uma rainha é uma rainha e deve comportar-se como tal. Por que não pode fazer diferente? Ah, veja o caso de Eduardo VIII, o príncipe de Gales: com sua mania de individualidade quase derrubou a monarquia.

Em suma, ser rainha da Inglaterra não é ficar de rainha da Inglaterra.

Entre uma obrigação e outra ela deve se impor à própria mãe, dar um jeito nas individualidades da irmã, Margareth.

Para dizer em uma palavra: fosse eu Elizabeth teria adorado a série. Ela é apropriada para o papel. Mais do que sábia, é forte. É até graciosa: nada a ver com aquela sem-gracice que a gente sempre achou que fosse.

Mas essa história de fadas tem um segundo sentido: com ela, a monarquia inglesa abre-se ao mundo do espetáculo.

Ora, a monarquia inglesa sempre foi um espetáculo imaginário, e daí vinha sua força: cada um podia imaginar o que quisesse sobre o que acontecia atrás daqueles muros. Mas eles não se abriam.

Claro, o cinema inglês vive conjecturando sobre isso.

Mas o que temos nessa série é outra coisa: a capitulação da família real face ao poder da mídia.

Ela se mostra, assim como os juízes do STF. O espetáculo secreto (o segredo como alma do negócio) já não existe. Quem é rei não é quem nunca perde a majestade.

Ou antes, quem é rei nunca perde a audiência.

“The Crown” é um sucesso. Então Elizabeth II é mesmo uma rainha.

Ou, como se dizia em outros tempos: “noblesse oblige”*

*Bestamente, traduziria por “nobreza obriga”. Mas o sentido é um pouco mais irônico: a menina te dá um pé e ao mesmo tempo te convida para ir à festa que está dando. Você vai, porque “noblesse oblige”. Para não fazer feio: é mais ou menos isso.

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