A Lei 26 ou Eliane Brum vs. Doria

O El País, edição brasileira, traz uma matéria preciosa de Eliane Brum sobre o discurso de posse de Dória em São Paulo.

Ou antes, sobre determinada citação feita por ele. A frase vem de um livro chamado “As 48 Leis do Poder”, best-seller devido a um certo Robert Greene, dado como o Maquiavel da cultura de massa.

Não importa, aqui, a citação de Doria. Está lá no artigo, junto com uma bela explanação de perspectivas um tanto repulsiva a respeito do poder emitidas ao longo do livro.

Quero chamar a atenção apenas para a Lei 26, citada por ela: “Você deve parecer um modelo de civilidade e eficiência. Suas mãos não se sujam com erros e atos desagradáveis. Mantenha essa aparência impecável fazendo os outros de joguete e bode expiatório para disfarçar a sua participação”.

Epa!

Isso não é uma fórmula que lembre um mero adulador de Geraldo Alckmin. É uma frase que cabe como terno sob medida em Geraldo Alckmin.

Não são poucos os chamados “escândalos” no governo paulista. Roubalheiras no metrô, por exemplo, elas existem às pilhas. Não são as únicas.

Tudo, porém, acontece como se o governador não tivesse nada a ver com isso. Ele sabe como ninguém desaparecer na hora em que se apontam os responsáveis. Ele não é responsável por nada. São sempre os outros os culpados, os subalternos.

O que força a conjecturar que, ao citar esse livro, Doria estava adulando, sim, o seu mestre (como recomenda Robert Greene).

Mas esse não é um mestre qualquer: é aquele que lhe presenteou com esse livro.

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