Paterson, Cambridge e outros

Antes, o verão – Making of

Devia estar falando aqui de “Era o Hotel Cambridge”, o belíssimo filme da Eliane Caffè. Até conversei com ela a respeito. Mas por ora fica dito isso: uma beleza de trabalho. Trabalho e pensamento.

Devia falar também de “Paterson”, que me parece a obra-prima de Jim Jarmush. Como se todo o cinema dele convergisse para ali. Obra-prima.

Ou do “Pitanga”. Não gostei do Pitanga, apesar do personagem. Não sei quem foi que filmou, mas não entendo que num filme em que haja a assinatura do Beto Brant haja também aquele plano do Barreto tomado de baixo e de perto.

Todo mundo sabe (ou saberá um dia) que o pior da velhice são esses pelos que irrompem indomáveis no nariz e nos ouvidos. Filmar o Barreto daquele jeito é feio para ele e feio para quem filma. Um horror.

Mas eu preciso falar aqui é do Gerson Tavares.

Ou antes: o que acontece com o Brasil?

Faz algum tempo, no CineOP, Rafael Luna apresentou um belo restauro dos filmes desse cineasta hoje desconhecido. Na guerra ideológica intracinematográfica ali dos 60/70 ele seria o anticinema novo, o anti-revolução (cubana ou de esquerda ou o que seja).

Ok.

O tempo passou. Temos restaurados belos filmes. As questões daquele tempo não interessam mais bulhufas (temos novas!!!).

Mas o que foi feito dessa descoberta formidável? Nada. Talvez uma tese universitária?

Pode ser. Mas por que não existe reconhecimento?

Por que não se faz um ciclo? Por que o CCBB não se dedica um pouco a isso, a tratar de nossa memória cinematográfica?

Ou o IMS? Já começa a ter estrutura e tem um diretor de cinema à frente da programação.

Às vezes fico espantado como na Europa e mesmo nos EUA se reverencia os artistas. Aqui, o cara na melhor das hipóteses é esquecido.

Junto com seus filmes, claro.

Ao mesmo tempo, que me desculpem amigos e colegas que gostaram tanto de “Martírio”, me parece que é preciso um pouco mais de rigor no juízo dos filmes.

Esquecer a causa, que aliás é urgente, necessária, imprescindível, e mirar um pouco a eficácia do trabalho.

Se Vincent Carelli é um etnólogo e seu trabalho vai nesse sentido, muito bem. Mas como cinema pode ter toda boa vontade do mundo. Não me vai.

Não sou adepto do rigorismo extremo, não. Mas enquanto a gente não distinguir as coisas, não sei… Acho que faz mais bem ao diretor dizer o que está errado (ou o que a gente acredita estar errado) do que o certo.

E também tenho a impressão de que acreditamos sempre que, falando bem das coisas, estaremos protegendo o cinema. É uma atitude um pouco messiânica, além de inútil.

Estive relendo as preciosas críticas de filmes brasileiros do Paulo Emilio no Jornal da Tarde (e mesmo na revista Argumento). Ele defendia o interesse do filme brasileiro acima de tudo. Encontrava interesse em muitas coisas que nos passariam em branco (ou a mim, pelo menos).

Mas não era condescendente, isso não.

Bom, perdão se não fui claro, mas estou sem tempo para até mesmo ser claro. Abraços gerais.

Ah, comprei o livro sobre Jean-Claude editado pela Abraccine. Pena que o Orlando achou que minha colaboração seria uma piada. Não era. Um dia tentarei falar de 24 horas ao lado do J.C. viajando ao Japão.

Adendo:

Leio o juiz Moro acusando a defesa de Lula de transformar o depoimento dele em evento político.

Mas não é?

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