Ciência, futebol, cinema

Passando pelo Fox Sports, um jornalista defendia a ida de jovens jogadores de futebol brasileiros para outros países (jovens, eu digo, menores de idade ou ainda sem idade de profissional), contra outros e contra o ex-jogador Edmundo.

A horas tantas, o argumento dele é que era muito certo aspirar a deixar o país em busca de dinheiro.

E argumentava com o artista que, convidado a ir a Hollywood, preferiria ficar para salvar o cinema brasileiro.

E depois com o cientista que ficasse em nome da ciência brasileira.

Que dizer?

É mais ou menos assim que as coisas funcionam, no futebol ou na ciência.

Mas não foi sempre assim.

Einstein não inventou um aplicativo para ficar bilionário.

César Lattes não fez as descobertas que fez para ficar rico. Ou Chagas. Ou Pasteur. Ou todos esses que dão nomes a institutos diversos.

O Glauber Rocha se recusou a filmar nos EUA, por exemplo. Não por esnobar, mas porque seu cinema não tinha nada a ver com Hollywood.

No presente mundo argentário faz todo sentido cientistas fazerem a formação no Brasil e se mandarem.

Verdade que boa parte do tempo o Brasil está se lixando para o que se faz aqui. Se salva o cinema nacional ou a ciência nacional.

Mas difundir esse tipo de crença é um mérito de quem a difunde: eis trabalho bem feito.

Para mim, pessoalmente, é insuportável.

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