O Pornógrafo

foto: Adam Ianniello

Meu herói agora chama-se Larry Flynt. Sim, aquele mesmo de “O Povo Contra Larry Flynt”, o pornógrafo.

Ele deu uma entrevista ao El Pais onde aponta o dedo direto, sem meias palavras, à imprensa, que considera responsável pela eleição de Donald Trump.

Porque durante meses e meses eles reproduziram o que dizia, deram eco à sua voz, sem crítica nenhuma, como se aquilo fossem gracinhas. E deu no que deu.

Claro, a gente não pode pedir o mesmo da imprensa brasileira, já que todo mundo mente.

Mas a reportagem hoje é quase sempre muito oficial. De repente, depois de todo o terror na Rocinha, dizem que dois ou três pessoas foram feridas…

E depois, quase despercebida no noticiário, a observação: depois de tudo pacificado (bote aspas quem quiser) pessoas estão no mato procurando por corpos de parentes que tenham sido jogados ali.

Minha pergunta: e ninguém acompanha isso? Ninguém fez a única matéria que merecia ser feita?

Me esclareça, por favor, quem tenha visto (ou feito) essa reportagem.

No meu tempo de Jornal da Tarde essa seria a matéria.

Mas o que eu queria dizer é: a grande frase do Flynt é mais ou menos assim: “George Washington não conseguia mentir; Nixon, não conseguia dizer a verdade. Donald Trump não sabe distinguir a mentira da verdade”.

Grande frase.

O Nó do Diabo

Estamos, como se vê, no nó do diabo.

Esse é o nome de um dos filmes que passou em Brasília, que, aliás, trouxe uma seleção bem interessante (a partir da terça-feira; não estive no começo do festival); se o objetivo era ressuscitar o festival, pela diversidade (locais, temas, causas), conseguiu. Por esse ângulo, conseguiu.

Meio abortado, na verdade. Quero dizer, o filme. Era para ser uma série de TV, mas virou um filme de 5 episódios.

Gosto mais dos dois primeiros. O primeiro poderia entrar um pouco mais na seara do fantástico. Aquelas figuras que invadem a casa grande poderiam aparecer mais claramente como figuras fantásticas.

O melhor é o segundo, do Gabriel Martins. Há muito tempo não via uma coisa de terror que te pega assim, que vai nas entranhas. Não é de dar susto, não. É de arrepiar.

O assunto é escravatura. A montagem dos episódios ficou meio troncha. A grande ideia é usar o mesmo coronel do início ao fim, quer dizer, dos dias atuais a 1821 (quinto episódio). E o ator é ótimo, diga-se de passagem.

Ficou meio jogado durante o debate: um dos episódios, quarto salvo erro, influenciado por David Lynch. É complicado: Lynch é complicado. Me pareceu, apenas, confuso.

Trocando as Bolas

No meio da noite, eu vendo Trocando as Bolas, que não há séculos, o Puppo me manda um whatsapp para dizer que os rapazes de um dos filmes, uma ficção ambientada em 2029, não eram da favela da Rocinha, como eu havia dito, e sim do Salgueiro.

Claro, eu não ia no meio da noite fazer uma troca dessas, nem que fosse realmente relevante, como o Puppo disse que o Valente disse que era.

Não creio que seja tão relevante assim. Nem que o Valente se importe com isso.

Como erro não chega à sola dos pés de minhas grandes mancadas jornalísticas.

Espero apenas que os rapazes não se sintam desconsiderados.

Para mim, paulista, favela do Rio é favela do Rio, antes de mais nada. É uma abstração. Para quem mora ali certamente não é.

O essencial do que eu quis expressar ali foi minha admiração por esses rapazes que tomaram a câmara e filmaram. Não foi um bwana branco que a deu. Eles a tomaram. Acharam uma solução final bem interessante e uma atriz muito boa, aliás.

Isso é o que importa: a origem da produção é a favela e não é tutelada. É livre e nada incompetente.

E se fosse aqui em São Paulo? Que importância teria se um filme viesse de Paraisópolis ou do Jardim Imbé…

Francamente, não entendo a relevância (exceto para mim, por motivos estritamente pessoais).

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