Autor: Inácio Araujo

A Culpa é sempre do cinema

E, de repente, do nada, eclode uma campanha contra “Coringa”, como se o filme pudesse ser responsável por assassinatos em massa que viessem a acontecer nos EUA.

Entendo que a mãe de uma moça morta durante a projeção de um dos últimos Batmans tema por novos assassinatos.

Porém esses assassinatos massivos não precisam de filme para acontecer nos EUA. A julgar pelos argumentos, seria o caso de fechar todas as escolas secundárias de lá…

Mas o que prevalece é, de novo, como desde 1900, a crença de que o cinema é que determina o comportamento das pessoas.

Em parte pode até determinar, entre outras coisas, como as pressões sociais, a repressão sexual, a facilidade de acesso às armas, a frustração entre a distância do sonho americano com a realidade etc.

“Coringa” é um filme com cenas brutais, é verdade. Mas qualquer Batman em que tenha figurado o personagem, aliás, qualquer Batman supõe cenas de violência.

Mas, como bem disse Joaquin Phoenix, este Coringa é mais algo para que se reflita sobre a violência do que outra coisa.

Mas parece que refletir um pouco dói.

“Coringa” é um filho dileto do mundo das celebridades. Do neoliberallismo também, e da TV. Os dois formam o par que cria esse mundo em que ou o sujeito é um célebre ou é um nada. Eis a diferença entre os personagens de Phoenix e De Niro no filme. Ambos fazem piadas ruins, mas um deles faz as piadas ruins de que o público ri.

Entre a dor e o nada, eis como está o Coringa.

É um belo e surpreendente filme, este de Todd Phillips.

Se algum louco entrar no cinema e matar gente, acredite, não tem nada a ver com o cinema, exceto por essa campanha contra o filme, que, inconscientemente ou não, acaba se tornando uma propaganda dos assassinatos massivos.

Teorema 31

Com a gentileza de sempre, Marcus Mello me envia a edição 31 da ótima revista “Teorema”, que é hoje a única publicação em papel sobre cinema. Mas isso é o de menos. É uma revista que precisa ser lida por qualquer fã de cinema.

Embora saída da sólida tradição da cinefilia gaúcha (que hoje tem na Cinemateca Capitólio outro impulsionador importante), trata-se de uma revista que nega o mito de que o Rio Grande do Sul é uma espécie de república à parte.

O que eu vejo, sem a menor preocupação, é uma aproximação cada vez maior entre a universidade e a crítica. Houve um tempo em que esses dois territórios não se bicavam. A universidade ficava fechada em seus estudos; a crítica, na observação direta e rápida dos filmes.

A revista se vale de inúmeros professores para trabalhos ensaísticos de que a observação crítica está longe de ser descartada. Menciono os dois que pude ler até agora: um lindo artigo de Pablo Gonçalo (UNB, mas também Cinética) sobre Clint Eastwood e “A Mula”, e o formidável ensaio sobre terror a partir de “Nós” escrito por Laura Cánepa (UAM). Também percorri a longa entrevista com Jean-Michel Frodon.

Há uma extensa fila de textos ainda a ler, do “Bacurau” visto por Eneas de Souza a Denilson Lopes, Ivonete Pinto, Marcelo Miranda, Marcus Mello e… chega: muitas pessoas mais, muitos textos sobre assuntos que me atraem mais.

Nunca consigo lê-los todos. Depois de um tempo vão para o banheiro, que é um ótimo gabinete de leituras, além de servir a eventuais visitas. Acho uma delícia encontrar em números antigos textos a que não tinha ainda dado atenção.

Acho que a melhor definição para “Teorema” é o de uma revista de ensaios cinematográficos.

Bem, a revista poderia dizer onde é encontrável fora de Porto Alegre. Garanto que ajudaria a quem queira adquiri-la. Sei que a livraria do Espaço Itaú Augusta a vende. Não vi nenhum sistema de assinaturas. Não vi nenhum anúncio. O forte da revista não é o lado comercial.

Então, para quem se interesse, fica aqui o endereço eletrônico para contato:

revistateorema@yahoo.com.br

O cobrador

De tempos em tempos surge a ideia de limar a profissão de cobrador de ônibus.

As alegações variam conforme a era histórica. Pode-se alegar que em Paris, Berlim, Londres, sei lá onde, não existem cobradores nos ônibus.

Pode-se afirmar, como agora faz o prefeito paulistano, que só 5% das passagens são vendidas dentro dos ônibus, o que torna o personagem ocioso.

Sim, se Bruno Covas, nosso prefeito (e me parece até bem mais humano que o Doria, o que não é tão difícil), alguma vez já andou de ônibus terá notado que o cobrador faz muito mais coisa além de cobrar.

Ele começa por ser um auxiliar do motorista, que não é um motorista europeu, e com freqüência abre ou fecha a porta nos momentos errados, etc. Aí o cobrador bate com um ferrinho no metal e o cara se manca.

Então, você quer descer, o motorista fecha a porta e pretende ir em frente, você apela ao cobrador e ele avisa o motorista que nem todo mundo desceu.

Mas o cobrador é também auxiliar do passageiro. Eu diria que ele é o amigo do passageiro durante a viagem.

O cara não sabe em que ponto deve descer. O cobrador avisa a ele.

Se nossos ônibus se tornaram subitamente europeus e tiverem indicações decentes, o que não acontece, essa função ficará razoavelmente esvaziada.

Razoavelmente, apenas.

Quando o passageiro vai a um lugar que não conhece, precisa saber muito bem a parada em que vai ficar. Os ônibus terão um sistema que permita visualizar a parada para onde você vai?

Duvidooooo.

Os ônibus terão um sistema de som como o do metrô dizendo qual a próxima parada?

Duvidoooo muitíssimo.

Ainda assim, será que não se leva em conta que nossa população é quase toda semi-analfabeta, quando não analfabeta de vez?

O cobrador é o grande personagem do ônibus urbano no Brasil.

Posso imaginar um ônibus sem motorista. Mas sem cobrador?

Vai ser um sofrimento.

Ah, sim, para terminar: quem vai controlar se fulano pagou a passagem ou não?

Um sujeito com porrete na mão?

Seria bem a cara do Brasil.

 

Pol Pot no Brasil

Pol Pot, ano zero

Vi esse título de livro, acho que vi, e me perguntei, quase sem perceber: será que fala do Camboja mesmo ou do Brasil?

A pergunta apareceu assim, sem querer. Mas não por acaso, claro.

Não são tão diferentes Pol Pot, Khieu Samphan e Bolsonaro.

Se pudesse, se um dia puder, Bolsonaro mandaria todos os letrados para capinar na Amazônia desflorestada, trabalhar de peãozada nas grandes fazendas do agronegócio ou, melhor, ainda nos garimpos.

Sem marmita, para morrer de fome.

Mas as semelhanças ficam por aí.

Ele tem ódio na expressão, nos atos, nos tweets, nas mentiras, nas bazófias.

O khmer vermelho enganou bem. Bolsonaro engana quem quer ser enganado.

Os caras do khmer vermelho não eram grosseiros, ao contrário do que se possa imaginar,  estudaram, às vezes com brilho, em universidades francesas.

Tornaram-se os genocidas que sabemos.

Bolsonaro é grosseiro, sua linguagem é chula.

Mas a intenção de sua necropolítica é a mesma do khmer vermelho: destruir tudo que havia antes, recomeçar do zero, eliminar tudo que soe estranho a suas, digamos, ideias.

Por incompetente é capaz que seja deposto antes de ir parar numa corte internacional .

Bolsonaro governa

Acho muito estranho ler, com freqüência, que Bolsonaro devia parar de se importar com miudezas, parar de falar bobagem e governar.

Governar é o que mais tem feito. Ao menos tenho essa impressão. É um raro caso de político que desenvolve exatamente o programa que prometeu por em prática na campanha.

Alguns itens:

  1. Acabar com defesa do meio ambiente – desmatar, ocupar terras indígenas, explorar minérios, gado e o que der. Enfim, perseguição a todo ambientalismo.
  2. Militarização – Cada vez mais postos importantes vêm sendo ocupados por militares.
  3. Perseguição à educação – a pretexto de marxismo cultural ou qualquer outro.Vale para universidades, escolas secundárias, financiamentos de pesquisas, corte de bolsas, ameaça de fechamento da Ancine etc.
  4. Alinhamento irrestrito aos EUA – dispensa comentários: teremos o primeiro embaixador em Washington pronto a defender os interesses norte-americanos no Brasil
  5. Autoritarismo crescente – É a parcela Moro do pacote, um tanto atrapalhada pelo The Intercept. Mas não desativado, longe disso.
  6. Passar nos cobres subsolo nacional – em especial o pré-sal, mas refinarias e fatias da Petrobras entre outras vão indo embora; aliás, o esvaziamento da Petrobrás, sua transformação em produtora de matéria prima vai se consumando.
  7. Reforma da previdência – check.
  8. Milicianização – Isso não era promessa, mas um não-dito de campanha
  9. Estímulo à violência – Não apenas lutando pela liberação das armas, mas por palavras, idéias e gestos.
  10. Descaracterização da república leiga – “Deus acima de todos”
  11. Perseguição à ciência – Demissão de profissionais que produzam dados incômodos ao governo (vide Inpe)
  12. Perseguição a ONGs – Isto é parte do autoritarismo, mas tem sua autonomia: vale para toda intervenção exterior ao governo que contrarie o governo
  13. Ataque aos direitos humanos – medalha para torturadores. Não precisa dizer mais nada.
  14. Liberalização da economia – ver projetos da Economia, vivos e ativos.
  15. Censura – ataques à Ancine em particular e ao cinema em geral; ameaças ao The Intecept.
  16. Perseguição à imprensa – Ou que outro nome se pode dar à medida que torna a publicidade legal gratuita, isto é, corta fonte de renda dos jornais da noite para o dia.
  17. Minorias – outro que dispensa comentários

 

A lista poderia ir mais longe.

Quem quiser lembrar e acrescentar, pode.

Listo aqui apenas as medidas que estavam mais ou menos explicitamente formuladas durante a campanha e de que melembro.

Não digo nada de milícias e seu acobertamento, de crimes enfiados debaixo do tapate (Marielle), de assassinatos no campo nunca resolvidos, quando em menos de uma semana se descobrem os hackers que teriam invadido celulares governamentais ou próximos disso.

Não falo de tratantagens envolvendo o presidente e filhos.

Tudo isso é outro departamento.

Apenas digo que Bolsonaro governa e muito.

Desgraçadamente, para o Brasil.

 

 

 

Amor, o desconfortável amor

Dira Paes e Julio Machado em “Divino Amor” (2019) – (Sundance Institute/Divulgação)

Não me lembro de um diretor de cinema que tenha evoluído tanto e tão radicalmente quanto Gabriel Mascaro. De seu documentário em que desfazia dos habitantes de coberturas recifenses (“Um Lugar ao Sol”), parece ter tirado a lição de que um cineasta não pode se por acima de quem é sujeito de seu filme, justamente porque a transforma em objeto.

Passo por “Ventos de Agosto”, que me pareceu um exercício esteticista, destes a que artistas plásticos não raro se dedicam, quando pegam uma câmera HD. “Boi Neon” foi para mim, portanto, uma surpresa enorme, com sua sequência de paradoxos, sua capacidade de unir o novo e o tradicional, o opaco e o brilhante, o local e o geral.

“Divino Amor”, me parece, supera o que veio antes. Existe ali uma mulher que acumula as funções de neo-evangelista (é isso mesmo?) e burocrata. Ela zela, burocratizando a burocracia, para que os casais em litígio se reencontrem, se reconciliem.

Isso é narrado por uma voz infantil que, por estranha, deixa a sensação de estar desfazendo da personagem. Ela é uma burocrata a serviço de Deus e faz o que pode para ter um filho.

Ela participa da seita Divino Amor. Com seus dois sentidos, o amor é divino em si, mas também aqui estamos tratando do amor de Deus pelos seus.

O fato é que, apesar de remédios e exercícios, o marido mostra-se incapaz para a procriação.

Vou resumir, e quem acha que é importante não saber o final que vá parando a leitura por aqui.

A moça termina por engravidar, sim. À noite, no serviço, confere todas as fichas dos participantes da  Divino Amor e o DNA de nenhum deles confere com o DNA do pai.

Esclareça-se, ela é uma mulher fiel, ao menos até onde ela própria sabe.

Ela procura o pastor o drive thru para conversar sobre o caso. O pastor não quer papo.

Ela tenta voltar ao Divino Amor, mas neca: só entra acompanhada.

Tenta falar com o marido, ele resolve sair de casa.

Ela tenta convencer a todos de que é o caso de uma concepção imaculada, ou, em outras palavras, de um milagre.

Mas, esse pessoal que vive às voltas com milagres por dúzias, por pencas, não acredita na hipótese do milagre.

E por que não? Afinal, esses neo-evangélicos acreditam na vinda de um outro Messias, hipótese que roubaram sem nenhuma cerimônia do judaísmo (com a diferença de que para o judaísmo não existe segundo Messias, pois não reconhecem o primeiro).

Se houve um não pode então haver outro? E não seria essa mulher tão dedicada a Deus e sua causa um receptáculo digno do novo enviado?

Ninguém acha isso Ela, ao contrário, está convencida.

No final, a criança nasce e outra revelação se faz: a voz que ouvimos era a do bebê.

Um bebê sem registro, sem nome. Talvez o Messias que nós, novamente, não soubemos receber.

Talvez. Pode ser outra coisa, não pode?

Sim, pode ser o antiCristo, como o Bebê de Rosemary, algo que o estranho de sua voz, o tom ligeiramente sarcástico em relação ao comportamento materno, sugere.

Eis a formidável ambigüidade a que nos conduz o filme de Mascaro. Embora ele mesmo fale no “Five” de Kiarostami como a grande revelação cinematográfica de sua vida, eu vejo outra coisa, talvez erradamente, mas, paciência, é o que vejo: uma imensa ambivalência entre a fé infinita de Dreyer (como a moça do filme ele acredita que só existe fé quando ela é completa), e o demoníaco do Polanski de “Bebê de Rosemary”.

Do Bem pode nascer o Bem, ok, mas do Bem pode também nascer o Mal.

Eis um filme tão original quanto desconfortável.

P.S. – Não me lembro o nome da moça do filme e estou sem tempo de verificar os nomes no Imdb. Mas acho que podemos sobreviver a isso.

De além-túmulo

O verdadeiro feitiço, aquilo que encanta a tantos no filme de Petra Costa, é sua voz. Uma voz de além-túmulo, que bem representa o estado atual da esquerda no Brasil. Morta? Talvez apenas em catalepsia, à espera de que Lula ressuscite no terceiro dia para iluminar-nos.

Eis a esperança que freqüenta “Democracia em Vertigem”, que melhor seria denominar democracia em farrapos, que é esta nossa, onde a cada dia a podridão parece se espalhar mais por toda parte.

Quanto ao filme, eu teria uma pilha assim, ó, desse tamanho de reservas a fazer-lhe. Mas é preciso reconhecer que há imagens muito boas, devam-se ou não à intimidade de Petra com o poder.

A mãe dançando na avenida num dia de vitória é coisa bonita. A entrevista com Bolsonaro é burlesca. Ele tinha no escritório de deputado o retrato de todos os presidentes militares. Diz que a esquerda odiava o Geisel. Mas não tanto, certamente, quanto o Geisel o desprezava.

O tom é de lamento e expressa bem a impotência da esquerda. Não mobiliza nem sindicatos, nem sem terra, nem ninguém. Não tem muito nada a dizer.

O Ciro Gomes rodopia perdido entre suas idéias, que são fartas e não raro boas, e sua incrível vocação para a solidão. É o mais fiel seguidor do Brizola que eu conheço. Claro, o Lula lhe passou uma rasteira que, pessoalmente, acho que arrastou o país inteiro. Mas agora ele se faz de emburrado, não fala com o Lula, não visita, não nada. Antes, ele não fez aliança porque o tapete puxava seu tapete. Agora não faz porque não vai se aliar a ninguém. Quem pode se aliar a ele, senão a esquerda?

Enfim, essa é a situação da vertigem de Meunière que atinge a esquerda. Em vez de fazer congresso, devia tomar Labirin, para ver como se encontrar no dédalo.

A Petra Costa acho que cresceu vendo telejornais da Globo. Numa boa parte do filme mata as imagens com o discurso. A Globo é assim: as imagens não falam, não dizem, não pensam e não mostram. Elas chegam embaladas pelas palavras que já trazem A Verdade embalada. Notícia em versão supermercado.

Quando não é assim, ela entope o filme de música. Me lembra o artigo do Rivette sobre a abjeção. Não acho abjeto, mas sim que beira a imoralidade, essa mania de usar a música para criar um significado que não existe.

Para jogar sentimentos goela abaixo do espectador.

Enfim, meus amigos de esquerda parecem gostar de ir ao cinema para se lamentar.

Eu também me acho de esquerda. Acho que hoje sou anarco-ecolô. Algo assim.

Não. Não agüento essa choradeira. Aquele filme “O Processo” era a mesma coisa. Parece que está todo mundo às cegas.

Professor  Haddad

Até o Lula. Ungiu o Haddad seu sucessor. Haddad é professor. Quando fala, parece um Alckmin de esquerda. O elitismo está na sua pele. Não vai superar isso. Eu gosto dele. Achei um ótimo prefeito. Não se reelegeu porque tentou legar ao povo paulista noções de vida civilizada. Paulistas e paulistanos apreciam a barbárie. Que fazer? Não. Ele será um deputado, um senador…

Moro e seus pés de barro

Dito isso, gostei bem de ver os pés de barro do Moro. Barro? Melhor dizer logo lama.

Nunca gostei dele. Couraça caracterológica bem como descreve Wilhelm Reich.

Mas, hoje, o que me escandaliza não é tanto a sujeirada processual que vai aparecendo a cada semana, no ritmo do Greenwald.

É sua incapacidade de usar o subjuntivo. Coisas como “ele a gente manter isso vai ser bom”.

No exemplo só o “manter” é original dele. A absoluta incapacidade de usar o subjuntivo.

Noutros tempos eu imaginava que os juízes seriam homens sábios. Os mais sábios entre a gente do Direito. Mas o Moro, tem dó, é um capiau daqueles. Quem leu o texto que ele escreveu no concurso? Ou concursos para juiz agora são por cruzinha? Ou, pior, os outros concorrentes eram mais ignorantes que ele.

E, quando resolve demonstrar cultura solta uma frase em latim.

Como dizia o Millor Fernandes: se queres enganar a ti mesmo, engana-te; aos outros é mais difícil.

Conheço esse latim. Meu tio Ary, velho advogado, tinha um Dicionário de Brocardos Jurídicos. Frases em latim para a ocasião certa.

É na mão de gente assim que estamos. Quer dizer, que está o Lula.

E há o Ciro solitário, o Boulos que ninguém escuta, a Tabata que o Ciro quer ver pelas costas, a Marina que há muito tempo está no além-túmulo.

E depois há o Bolsonaro produzindo factóides ridículos enquanto pelas costas vai desenhando o fascismo nosso de cada dia, o fanatismo tipo AS, as milícias tipo SS. E em vez dos judeus ele pretende chegar à solução final dos índios brasileiros, da floresta, do que der. É pulsão de morte em pessoa.

Chega. Me cansei de mim, dessas tolices, desabafos e tudo mais. Fazer algo que preste.