Autor: Inácio Araujo

TV Brasil vai de “Outubro Soviético” sim

Para variar, estava certíssimo o Mario Cesar de Carvalho: a programação “Outubro Soviético” da TV Brasil está rolando. O trouxa aqui é que foi atrás da grade estampada pela NET e se ferrou.

Gracias, Mario: fui conferir o que dizia e, em vez de gravar “Eva Não Dorme”, que eu tinha programado, entrou um daqueles filmes russos.

Não tenho tempo para me desculpar com o presidente Temer. Faço isso depois, pessoalmente.

Sua TV não cancelou a Revolução de 1917. A Net é que passou ao largo dela, talvez por ter recebido a programação tarde demais. Me ferro eu, que queria pôr filmes para gravar. Espero a reprise.

Desculpas também ao Fernando Chaves, que sempre mandou a programação exatíssima. E, se posso dizer algo mais, é que a TV Brasil continua ainda a ter uma programação bem decente de filmes.

Junto abaixo a programação enviada pelo Fernando e que, até segunda ordem, é a que está valendo:

Terça-feira, 17 de outubro

Vassa

23h00, na TV Brasil

Título original: Vassa. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1983. Gênero: drama. Direção e roteiro: Gleb Panfilov, com Inna Churikova, Vadim Mikhaylov, Nikolai Skorobogatov.

Proprietária de uma frota de embarcações de transporte fluvial, a família de Vassa está às voltas com problemas capazes de comprometer sua reputação e, por consequência, seus negócios. O marido é acusado de abuso de crianças, seu irmão engravida a empregada, uma filha é “errada da cabeça”, a outra está se transformando rapidamente em alcoólatra.

Empenhada até a última gota de sangue em evitar a ruína de seus protegidos, a poderosa matriarca não hesita em fazer qualquer coisa para proteger a imagem da família como recorrer ao suborno, chantagem, falsificação e assassinato. Porém, a muralha que ergue para defendê-los do mundo não consegue defendê-los de si mesma.

Em 1913, na casa da família Zheleznov, as crianças são ensinadas desde cedo a dizer “isso é meu: meu navio, minha casa, minha fábrica”. Os membros dessa família se beneficiam com o dinheiro gerado pelo trabalho de outros. E o gastam com jogatina e futilidades. Eles passam o tempo praticando adultérios inconsequentes e espionando uns aos outros. Ao mesmo tempo em que rezam, envolvem-se com esquemas escusos em nome de Deus.

O longa é baseado na peça “Vassa Zheleznova” que o autor Maksim Gorki escreveu em 1910 e reescreveu em 1936. Fundador do realismo socialista, ativo militante do partido bolchevique, Alexei Maksimovich Pechkov, pseudônimo Maksim Gorki, é ainda hoje considerado o maior escritor em língua russa.

Dirigido por Gleb Panfilov, o filme “Vassa” (1983) conquistou o prêmio de Melhor Direção no Festival Internacional de Cinema de Moscou. O cineasta dirigiu grandes produções do cinema russo e foi reconhecido com prêmios como o Leopardo de Ouro, no Festival de Locarno, e o Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Inédito. 140 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Terça-feira, 17 de outubro (madruga de terça para quarta-feira)

Drama / Mex

1h30, na TV Brasil

Título original: Drama / Mex. País: México. Ano: 2006. Gênero: drama. Direção: Gerardo Naranjo, com Fernando Becerril, Juan Pablo Castaneda, Diana Garcia, Martha Claudia Moreno, Miriana Moro, Emilio Valdés.

Dois intensos relatos se entrelaçam durante uma noite em um hotel decadente na cidade mexicana de Acapulco dos dias de hoje. Um outrora luxuoso porto, agora em declínio, é pano de fundo para duas histórias: a de um velho escriturário com desejos suicidas que encontra uma jovem rebelde de 15 anos; e a de um jovem casal que enfrenta uma trágica ruptura.

Dirigido por Gerardo Naranjo, o filme propõe uma releitura da tendência para o melodrama dos mexicanos, tão ruidosos com os seus sentimentos.

Reprise. 93 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 1h30

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Quarta-feira, 18 de outubro

A Mãe

23h00, na TV Brasil

Título original: Mat. País: União Soviética. Idioma: russo Ano: 1989. Gênero: drama. Direção: Gleb Panfilov, com Irina Churikova, Viktor Rakov, Liubomiras Lauciavicius.

“A Mãe” retrata a dura realidade da Rússia pré-revolução. O filme narra a transformação de Pelageya Nilovna, uma camponesa submissa, escrava de seus medos e da brutalidade doméstica. Ela se torna uma mulher engajada na luta dos trabalhadores e, pouco a pouco, ocupa o lugar de seu filho, Pavel, encarcerado pela polícia.

Vencedor do Prêmio Especial do Juri no Festival de Cannes e dirigido por Gleb Panfilov, “A Mãe” (1989) é a quarta adaptação cinematográfica do romance homônimo de Maksim Gorki. As outras três são de Vsevolod Pudovkin (1926), Leonid Lukov (1941) e Mark Donskoy (1956). A obra “A Mãe” é considerada o marco zero do realismo socialista.

Inédito. 200 min.

Classificação Indicativa: 18 anos.

Horário: 23h00

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Quarta-feira, 18 de outubro (madrugada de quarta para quinta-feira)

Estamira

2h30, na TV Brasil

Ano: 2004. Gênero: documentário. Direção: Marcos Prado.

Premiado documentário “Estamira” mostra de perto a precariedade da saúde pública e as condições de trabalho sub-humanas a que estão submetidos os trabalhadores dos “lixões”.

Aos 63 anos e com problemas mentais, Estamira trabalha no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, local que recebia os resíduos produzidos na cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso eloquente, ela levanta questões de interesse global, como o destino do lixo produzido pelos habitantes de uma metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável.

O premiado documentário Estamira, dirigido por Marcos Prado, conta a história da mulher que, por mais de 20 anos, sobreviveu em um lixão do Rio de Janeiro. Ela morreu por falta de atendimento médico imediato para tratar uma infecção no braço.

O fotógrafo carioca Marcos Prado se dedicava havia seis anos a documentar, em fotos, o cotidiano do lixão do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ). Nesse período, ele conheceu a pessoa que seria a protagonista de seu longa de estreia como diretor.

O filme traça um perfil dessa interessante mulher, colocando em pauta assuntos como a saúde pública, a vida nos aterros cariocas e a miséria brasileira.

Estamira é acompanhada desde o início de seu dia, quando sai de casa, em Campo Grande, ainda de madrugada, em um longo trajeto. Primeiro de ônibus, depois a pé, em direção ao lixão, um gigantesco complexo onde são depositadas 9 mil toneladas de lixo por dia.

Chegando ao lixão, ela se junta a um grupo que inclui velhos, mulheres e crianças, que procuram obter objetos e alimentos em estado razoável no meio do lixo, disputando o espaço com urubus.

O documentário correu o mundo, obtendo 25 prêmios em festivais nacionais, como a Mostra Internacional de São Paulo e o Festival do Rio, e internacionais, como os festivais de Marselha, Karlovy Vary (República Tcheca), Havana, Viena, Londres e Miami.

Reprise. 127 min.

Classificação Indicativa: 18 anos.

Horário: 2h30

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Quinta-feira, 19 de outubro

Boris Godunov

23h00, na TV Brasil

Título original: Boris Godunov. País: União Soviética. Idioma: russo/francês. Ano: 1986. Gênero: drama. Direção: Sergei Bondarchuk. Roteiro: Alexander Pushkin (peça original), Sergei Bondarchuk, com Sergei Bondarchuk, Alyona Bondarchuk, Gennadi Mitrofanov.

Adaptação da peça de teatro homônima, de Alexander Pushkin, “Boris Godunov” (1986) se passa na Rússia e na Polônia no começo do século XVII. O épico é inspirado na história do Czar Boris Godunov, que reinou a Rússia entre 1598 e 1605.

Após a morte do Czar Fedor Ivanovich – filho de Ivan, o Terrível – Boris Godunov toma o trono, graças a intrigas palacianas, alianças e ao casamento arranjado entre sua irmã, Irina, com Tsarevich Feodor. Godunov ganha imenso poder e influência na corte.

De repente, porém, surge um novo aspirante ao trono: um homem que alega ser Dmitri, o filho mais novo de Ivan, o Terrível. Os autos oficiais davam conta que Dmitri havia morrido em Uglich, Em 1591.

Esse suposto Dmitri aparece na Polônia e, com o apoio do Príncipe Vishnevetzky, Sandomierz Mniszech e sua filha, a bela Marina, retorna à Rússia.

Embora a Igreja e Vasily Shuiski – que haviam investigado as circunstâncias da morte de Dmitri – neguem a autenticidade desse príncipe, ele cresce em popularidade e começa a se tornar uma ameaça real ao Czar Boris. Quem é ele, realmente? Um aventureiro ousado? Um príncipe? Ou um fantasma que apareceu para vingar um crime há muito esquecido?

Inédito. 141 min.

Classificação Indicativa: 18 anos.

Horário: 23h00

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Quinta-feira, 19 de outubro (madrugada de quinta para sexta-feira)

La mujer sin piano

1h30, na TV Brasil

País. Espanha. Ano: 2009. Gênero: drama. Direção: Javier Rebollo, com  Carmen Machi, Jan Budar, Nadia de Santiago.

A trama apresenta o retrato doméstico, laboral e sexual de uma dona de casa ao longo de 24 horas. Entrando na menopausa, ela não cultiva amizades e relações sociais. Mas quando a noite chega, ela sai de casa.

Andando por Madrid, conhece Radek, um jovem polaco procurado pela polícia que resolveu ir à Espanha para um acerto de contas.

Radek está no ponto de ônibus, Radek está no café, Radek está no quarto de um hotel. E seu marido a espera em casa.

Reprise. 95 min.

Classificação Indicativa: 18 anos.

Horário: 1h30

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Sexta-feira, 20 de outubro

Um Acidente de Caça

23h00, na TV Brasil

Título original: Moy laskovyy i nezhnyy zver. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1978. Gênero: drama. Direção: Emil Loteanu, com Galina Belyayeva, Oleg Yankovskiy, Kirill Lavrov, Leonid Markov, Oleg Yankovskiy.

Adaptado da novela “The Shooting Party” de Anton Chekhov, publicada como folhetim em 1885 e considerada precursora do romance policial psicológico, “Um Acidente de Caça” (1978) penetra no vazio moral da aristocracia decadente ao narrar o drama da jovem Olga, filha de um servo, cobiçada por três homens de meia-idade.

A trama se passa no interior da Rússia do século XIX quando Olga é obrigada a casar-se com o Príncipe Urbenin. Nesse meio tempo, um amigo de Urbenin, o detetive Sergey Kamishev, chega no interior para viver tranquilamente e visitar seu amigo, o conde Karneyev. Olga se apaixona por Sergey quando o conhece, e sua mente torna-se cada vez mais confusa e indecisa entre o amor do detetive e a riqueza de seu marido.

Com direção de Emil Loteanu, o filme ultrapassou a marca de 26 milhões de espectadores.

Inédito. 105 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Sexta-feira, 20 de outubro (madrugada de sexta-feira para sábado)

Domésticas

01h00, na TV Brasil

Ano: 2001. Gênero: comédia. Direção: Fernando Meirelles e Nando Olival, com Cláudia Missura, Graziela Moretto,Lena Roque, Olívia Araújo, Renata Melo, Robson Nunes.

Cida, Roxane, Quitéria, Raimunda e Créo pertencem a um segundo Brasil, quase invisível. Uma quer casar, a outra quer ser atriz de telenovela, a outra julga que a sua missão é servir Deus e a sua patroa. Têm diferentes visões do paraíso mas vivem no mesmo inferno: o das empregadas domésticas.

“Domésticas” foi vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais, como o do Festival de Cinema do Recife: melhor fotografia, melhor atriz; Cine Ceará, Brasil: melhor atriz; Ajijic Festival Internacional de Cine, México: melhor filme independente; Cinélatino, Rencontres de Toulouse, França: melhor filme; Cinema Novo Film Festival, Bélgica: prêmio do jovem júri.

Entre os filmes de Fernando Meirelles estão “O menino maluquinho” (1998), “Cidade de Deus” (2002), “O jardineiro fiel” (2005), “A verdade de cada um” (2013) e “Experientes” (2015).

Reprise. 90 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 01h00

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Sábado, 21 de outubro

Zé do Periquito

16h00, na TV Brasil

Ano: 1960. Gênero: comédia. Direção: Amácio Mazzaropi e Ismar Porto, com Amácio Mazzaropi, Geny Prado, Roberto Duval, Nena Viana, Amélia Bittencourt.

Em “Zé do Periquito”, Mazzaropi interpreta Genó, um tímido e probre jardineiro de um colégio que se encanta por uma das alunas, Carmem. A jovem é filha de um empresário bem-sucedido mas que passa por dificuldades financeiras. Para poder conquistar a moça, Genó deixa o emprego de jardineiro e vai para outra cidade onde trabalha com seu realejo em busca de dinheiro. O realejo fica famoso e em pouco tempo, Genó consegue uma pequena fortuna.

As filmagens foram realizadas nos Estúdios da Vera Cruz, com locações em Santos. O longa conta ainda com números musicais de Mazzaropi, Agnaldo Rayol e Hebe Camargo, Cely Campello, Tony Campello, George Freedman, Paulo Molin e Carlão.

Reprise. 100 min.

Classificação indicativa: Livre

Horário: 16h00

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Sábado, 21 de outubro

Arsenal

23h00, na TV Brasil

Título original: Apceha.l. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1929. Gênero: filme de guerra. Direção e roteiro: Aleksandr Dovzhenko, com Semyon Svashenko, Amvrosi Buchma, Georgi Khorkov, Dmitri Erdman, Sergey Petrov.

A devastação e miséria deixadas pela Primeira Guerra Mundial endureceram as pessoas e os militares ucranianos. Um recém-reformado soldado, Timosh, retorna a sua cidade natal, Kiev, após ter sobrevivido a um desastre de trem. Sua chegada coincide com uma celebração nacional de liberdade da Ucrânia.

Descrente do discurso das autoridades locais, Timosh começa a questioná-las. E, mais tarde, no Congresso da Ucrânia, ele defende que o sistema soviético seja adotado pelo país.

Nos paióis do arsenal de Kiev, onde Timosh havia trabalhado, os ânimos estão à flor da pele. Um levante está prestes a ocorrer…

Inédito. 75 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Sábado, 21 de outubro (madrugada de sábado para domingo)

Piel

0h45, na TV Brasil

Título original: Under my nails. País: Porto Rico. Ano: 2012. Gênero: drama. Direção: Ari Maniel Cruz, com Kisha Tikina Burgos,  Ivan Camilo,  Marilu Acosta,  Rosie Berrido,  Maite Bonilla, Nelson Estevez,  Enrique Julia,  Antonio Pantojas,  Dolores Pedro,  Miranda Purcell.

Passaram-se muitos anos desde que Solimar deixou Porto Rico para viver em Nova Iorque. Quando os caribenhos Roberto e Perpetue vão morar em seu prédio, Solimar fica obcecada com as violentas práticas sexuais do casal. Um dia, Perpetue desaparece, pois aparentemente voltara para a República Dominicana.

Solimar inicia uma relação intensa com Roberto. Mas o repentino aparecimento de um corpo de mulher no rio do Bronx desperta suas suspeitas. Será Perpetue? Será que o mesmo vai acontecer com ela? Solimar apaixonou-se por Roberto e aquilo que pode ser uma ameaça para sua vida está ligado a seus desejos mais íntimos e à sua verdadeira identidade.

Reprise. 102 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 0h45

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Domingo, 22 de outubro

O Velho e o Novo

23h00, na TV Brasil

Título original: Staroie i Novoie. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1929. Gênero: drama mudo. Preto e branco. Direção: Serguei Eisenstein e Grigori Aleksandrov, com Marfa Lapkina, Konstantin Vasilyev, Vassily Buzenkov, M.Ivanin, Ivan Yudin.

Com técnicas arcaicas e manuais, os camponeses pobres – ampla maioria da população soviética nos anos 1920 – mal conseguiam sobreviver. Eram explorados pelos “kulaks”, a elite do campesinato.

Cansada de passar necessidade, a camponesa Marfa Lapkina decide reforçar o movimento pela coletivização da agricultura e organiza um “kolkhoz” (cooperativa) com seus vizinhos.

De início, a adesão é pequena, mas em meio a uma intensa luta ideológica entre velhas e novas concepções, as vantagens da produção coletiva vão se afirmando.

Ponto alto do cinema mudo, “O Velho e o Novo” (1929) explora ao máximo os recursos da montagem dialética. Os cineastas Serguei Eisenstein e Grigori Aleksandrov começaram a rodar o filme em 1927. A primeira edição foi concluída no início de 1929 e tinha 121 minutos, mas não foi apresentada ao público. Os diretores decidiram realizar uma nova edição, com tempo menor.

Inédito. 121 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Domingo, 22 de outubro (madrugada de domingo para segunda-feira)

7 Cajas

1h15, na TV Brasil

País de origem: Paraguai. Ano: 2012. Gênero: suspense policial. Direção: Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori, com Celso Franco, Víctor Sosa, Lali Gonzalez.

Victor (Celso Franco) é um rapaz de 17 anos que trabalha como carregador no Mercado 4 de Assunção, espaço em que ocorre uma feira livre na capital do Paraguai. Pobre, o jovem quer comprar um celular de última geração, mas não tem dinheiro. O garoto quer se filmar e sonha com a fama das produções norte-americanas.

Em uma noite de sexta-feira, na entrada do local, ele acaba aceitando fazer a entrega de sete caixas em troca de 100 dólares. Víctor desconhece a quantos guaranis a nota equivale, mas imagina a recompensa na moeda estrangeira seja muito dinheiro.

A partir deste momento, ele passa a correr perigo de vida. O que parece ser um trabalho fácil não tarda a se complicar: nas caixas há algo que todos querem. Víctor e os seus perseguidores vão se envolver em uma aventura criminosa de perseguição pelas vielas com o qual não esperavam lidar.

Maior bilheteria da história do cinema paraguaio, com mais de 250 mil espectadores, o filme “7 Cajas” é um longa de ação, com suspense e perseguição policial, dirigido por Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori. A dupla faz parceria em produções no cinema e televisão há mais de 30 anos no Paraguai.

Com ampla projeção internacional, “7 Cajas” busca subverter a influência do cinemão hollywoodiano em um país que não têm uma tradição cinematográfica estabelecida. A produção paraguaia recebeu diversos prêmios em vários festivais de cinema.

Reprise. 100 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 1h15

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Segunda-feira, 23 de outubro

As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques

23h00, na TV Brasil

Título original: Neobychainye priklyucheniya mistera Vesta v strane bolshevikov. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1924. Gênero: comédia muda. Direção: Lev Kulechov, com Porfiri Podobeb, Boris Barnet, Aleksandra Khokhlova, Vsevolod Pudovkin, Serguey Komarov, Vera Lopatina, Leonid Obolensky. 

Mr. West deseja viajar à União Soviética, mas é advertido pelas revistas americanas  (os grandes meios de comunicação da época) sobre os terríveis perigos daquele país. Para se proteger, ele leva o caubói Jeddy, seu fiel guarda-costas, mas acaba caindo nas malhas de um grupo de ladrões disfarçados de contrarrevolucionários.

Passados mais de 90 anos, a sátira de Lev Kuleshov sobre a visão dos americanos acerca dos russos se mantém atual. No elenco, a comédia As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques (1924) traz alguns futuros astros do cinema soviético: os diretores Vsevolod Pudovkin (Shban), Boris Barnet (Jeddy), os atores Serguey Komarov (Zarolho) e Aleksandra Khokholova (Condessa).

Inédito. 94 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Terça-feira, 24 de outubro

Cossacos de Kuban

23h00, na TV Brasil

Título original: Kubanskie kazaki. País: União Soviética. Idioma: russo. Ano: 1949. Gênero: comédia musical. Direção: Ivan Pyriev, com Serguey Lukyanov, Marina Ladynina, Aleksandr Khvylya, Vladlen Davydov.

Ambientado nas estepes do rio Kuban, nos primeiros anos do pós-guerra, o filme conta a história de dois “kolkhozes” (cooperativas agrícolas) que competem para ver qual consegue colher mais trigo.

Realizada em cores, a comédia “Cossacos de Kuban” (1949) foi a maior produção musical do cinema soviético.

Fundador da União dos Cineastas Soviéticos e membro do Soviete Supremo da URSS, o cineasta Ivan Pyriev recebeu seis prêmios Stalin e foi diretor do estúdio Mosfilm. Realizou mais cinco filmes, incluindo “Os Irmãos Karamazov” (1969), concluído por Kirill Lavrov e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Inédito. 110 min.

Classificação Indicativa: 18 anos

Horário: 23h00

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Quarta-feira, 25 de outubro

Lênin em Outubro

23h00, na TV Brasil

Título original: Lenin v oktyabre. País: União Soviética. Idioma: russo Ano: 1937. Gênero: drama. Preto e branco. Direção: Mikhail Romm e Dmitri Vasilyev, com Boris Shchukin, Nikolai Okholopov, Yelena Stratova.

Em 1917, a marinha soviética no Mar Báltico e algumas unidades do Exército se rebelam contra o governo Kerenski, unindo-se aos operários e camponeses que exigiam paz: a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

Lenin chega a Petrogrado em um trem vindo da Finlândia e, na reunião do Comitê Central, de 10 de outubro, derrota as resistências de Zinoviev, Kamenev e Trotsky e deflagra a insurreição.

As forças contrarrevolucionárias organizam uma caçada para matar o líder dos bolcheviques. Os acontecimentos se precipitam em ritmo veloz até o momento final: sob as bandeiras de “Pão, Paz e Terra!” e “Todo Poder aos Sovietes!”, a Revolução de Outubro triunfa.

Inédito. 108 min.

Classificação Indicativa: 18 anos.

Horário: 23h00

 

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TV Temer

Incrível como o governo Temer não consegue ter um minuto, um segundo ao menos de grandeza. Na TV Brasil estava programado um ciclo de filmes da URSS, uma celebração do centenário da Revolução Russa.

Recebi o email dando conta da programação, durante a semana que começava no sábado 14/10.

Pois bem, quando fui checar a programação na Net, para programar a gravação de alguns dos filmes…

Nada havia. Havia outras coisas, filmes ou qualquer outro programa.

Eu sei que somos um país reacionário, com um governo reaça e tudo mais (tudo mais mesmo).
Mas a Revolução de 1917 é um fato histórico. Qualquer país do mundo tem algo para comemorar o evento…

Acredito até que essa série foi comprada no tempo da Dilma. Não acredito que morreriam para mostrar tais filmes.

Mas acho que até a Globo deve ter dedicado mais minutos a esse evento que afetou toda a compreensão do século 20.

A TV Temer deve ter recebido esses filmes de mão beijada.

Mas nem assim.

Caramba, que gente baixa, mínima, infame.

Caixa de Pandora

Ganha um chocolate quem não reconhece, hoje, que o golpe contra Dilma Rousseff abriu a caixa de Pandora, com todos os monstros imagináveis saindo de lá.

A magnificação da polícia e do policialismo foi um deles.

A partir da constatação, no mais correta, de que no Brasil só pretos e pobres vão presos, abriu-se a estúpida brecha não para resolver o problema (controlar a polícia e o judiciário controlar-se), mas para criar outro: a prisão indiscriminada e espetaculosa de pessoas brancas e com posses ou importância.

O suicídio do reitor Cancellier ilustra a monstruosidade nunca igualada do momento pelo qual passamos.

Mas pode ser o começo de uma espécie de transformação, por mais moitado que tenha sido. Foi sentido, sim.

Às vezes acontecimentos secundários geram outros acontecimentos.

A desgraça de Dilma Rousseff aconteceu da noite para o dia. Foi dormir com índices de aprovação altíssimos e acordou na lona.

Motivo: os estádios absurdos da Copa do Mundo.

Nem era culpa dela, mas que importa?

Nem era tanto dinheiro assim, mas isso não conta.

Eram visíveis aqueles estádios. Um no meio da Amazônia. Outro no Pantanal. Para quem? Para os jacarés jogarem?

E esse dinheiro, é claro, poderia, aliás deveria estar na educação, na saúde, na tecnologia.

Daí para a queda do governo foi um pulo.

Injusto ou não. Injusto acho eu.

E desastroso – isso é constatação objetiva.

Talvez a morte do reitor desperte um pouco da humanidade perdida pelos brasileiros nos últimos tempos, que se faz marcar pelo gosto do linchamento em inúmeras variedades.

Não é bom. É uma catástrofe que as coisas aconteçam assim.

Os debates de Brasília, do Festival, reproduziram esse estado de espírito em certos momentos, passaram do debate de ideias à censura pura e simples de ideias.

Não foi sempre, diga-se. No pouco tempo em que estive lá ouvi participações muito interessantes, questionamentos pertinentes, mas essa tendência à intolerância ali também era meio visível, e num debate sobre arte, afinal.

Estamos num momento meio “Fúria”, aquele mata-esfola que começou com a perseguição ao Lula e hoje atinge mais ou menos qualquer um.

Estamos nesse momento “M – O Vampiro de Dusseldorf”, em que cada um deixa de reconhecer no outro um semelhante e se figura um monstro.

Não me lembro de um momento tão delicado no Brasil antes. Como ele não é só nacional, também não vejo pensamento dando conta do que sejam internet, redes sociais e o papel delas na incivilização.

Vai demorar algum tempo, acho.

Fascismos velhos e novos

Dei uma olhada em “A Anatomia do Fascismo”, de Robert Paxton, historiador forte do século 20.

A palavra anatomia, pelo que vi, não está mal empregada. Então é como as coisas se desenvolvem na Itália, na Alemanha, discussão conceitual etc.

Bom para a gente não ficar usando aproximações fajutas em torno do tema (nem toda tirania é fascista etc.).

Observo que há certas permanências. Com Mussolini culpavam-se os velhos que haviam feito a guerra. Reivindicava-se poder jovem. Agora é meio a mesma coisa: contra a “velha política” chama-se o novo (MBL, mas também os Dorias e tal).

Ele fala também muito dos modos de ataque, milícias etc.

Por vezes parece com os modos de ação de agora. Por exemplo: ao levantar a questão da “arte degeneradas”, o MBL, tanto quanto os paulistas que enfrentam o MAM estão bem próximos daquilo.

O próprio Temer, por sinal, na repressão às manifestações Fora Temer, usou métodos nada democráticos. Ele pode ser pior que fascista, mas fascista, por ora, me parece que não.

O essencial, no entanto, se se quiser conhecer o neo-fascismo atual passa por entender comunicação intensa via internet. Como se dá, como se veiculam ideias, por que o senso comum mais comum se impõe etc.

Existe um mundo aí a ser decifrado. Mas o livro do historiador americano (ah, Valente, desculpe se não for: estou escrevendo de memória), edição brasileira da Paz e Terra, me pareceu um guia para entender ao menos o passsado desse fenômeno, que é bem ameaçador, e ele inclusive comenta a subida desses movimentos nacionalistas europeus e tal.

Não estou com paciência para ler inteiro, mas ficarei feliz se isso aqui ajudar a encontrar esse livro e colaborar no entendimento do fenômeno brasileiro: por que certas ideias se difundem em determinados momentos, como se difundem, que outras forças convocam (o conservadorismo sexual-religioso), além da desinformação via internet e imprensa.

Só como exemplo: a Globo não é fascista, mas é autista: apenas conversa consigo mesma.

O Pornógrafo

foto: Adam Ianniello

Meu herói agora chama-se Larry Flynt. Sim, aquele mesmo de “O Povo Contra Larry Flynt”, o pornógrafo.

Ele deu uma entrevista ao El Pais onde aponta o dedo direto, sem meias palavras, à imprensa, que considera responsável pela eleição de Donald Trump.

Porque durante meses e meses eles reproduziram o que dizia, deram eco à sua voz, sem crítica nenhuma, como se aquilo fossem gracinhas. E deu no que deu.

Claro, a gente não pode pedir o mesmo da imprensa brasileira, já que todo mundo mente.

Mas a reportagem hoje é quase sempre muito oficial. De repente, depois de todo o terror na Rocinha, dizem que dois ou três pessoas foram feridas…

E depois, quase despercebida no noticiário, a observação: depois de tudo pacificado (bote aspas quem quiser) pessoas estão no mato procurando por corpos de parentes que tenham sido jogados ali.

Minha pergunta: e ninguém acompanha isso? Ninguém fez a única matéria que merecia ser feita?

Me esclareça, por favor, quem tenha visto (ou feito) essa reportagem.

No meu tempo de Jornal da Tarde essa seria a matéria.

Mas o que eu queria dizer é: a grande frase do Flynt é mais ou menos assim: “George Washington não conseguia mentir; Nixon, não conseguia dizer a verdade. Donald Trump não sabe distinguir a mentira da verdade”.

Grande frase.

O Nó do Diabo

Estamos, como se vê, no nó do diabo.

Esse é o nome de um dos filmes que passou em Brasília, que, aliás, trouxe uma seleção bem interessante (a partir da terça-feira; não estive no começo do festival); se o objetivo era ressuscitar o festival, pela diversidade (locais, temas, causas), conseguiu. Por esse ângulo, conseguiu.

Meio abortado, na verdade. Quero dizer, o filme. Era para ser uma série de TV, mas virou um filme de 5 episódios.

Gosto mais dos dois primeiros. O primeiro poderia entrar um pouco mais na seara do fantástico. Aquelas figuras que invadem a casa grande poderiam aparecer mais claramente como figuras fantásticas.

O melhor é o segundo, do Gabriel Martins. Há muito tempo não via uma coisa de terror que te pega assim, que vai nas entranhas. Não é de dar susto, não. É de arrepiar.

O assunto é escravatura. A montagem dos episódios ficou meio troncha. A grande ideia é usar o mesmo coronel do início ao fim, quer dizer, dos dias atuais a 1821 (quinto episódio). E o ator é ótimo, diga-se de passagem.

Ficou meio jogado durante o debate: um dos episódios, quarto salvo erro, influenciado por David Lynch. É complicado: Lynch é complicado. Me pareceu, apenas, confuso.

Trocando as Bolas

No meio da noite, eu vendo Trocando as Bolas, que não há séculos, o Puppo me manda um whatsapp para dizer que os rapazes de um dos filmes, uma ficção ambientada em 2029, não eram da favela da Rocinha, como eu havia dito, e sim do Salgueiro.

Claro, eu não ia no meio da noite fazer uma troca dessas, nem que fosse realmente relevante, como o Puppo disse que o Valente disse que era.

Não creio que seja tão relevante assim. Nem que o Valente se importe com isso.

Como erro não chega à sola dos pés de minhas grandes mancadas jornalísticas.

Espero apenas que os rapazes não se sintam desconsiderados.

Para mim, paulista, favela do Rio é favela do Rio, antes de mais nada. É uma abstração. Para quem mora ali certamente não é.

O essencial do que eu quis expressar ali foi minha admiração por esses rapazes que tomaram a câmara e filmaram. Não foi um bwana branco que a deu. Eles a tomaram. Acharam uma solução final bem interessante e uma atriz muito boa, aliás.

Isso é o que importa: a origem da produção é a favela e não é tutelada. É livre e nada incompetente.

E se fosse aqui em São Paulo? Que importância teria se um filme viesse de Paraisópolis ou do Jardim Imbé…

Francamente, não entendo a relevância (exceto para mim, por motivos estritamente pessoais).

Pós Brasilia 2

A coisa mais importante que ouvi em Brasília veio do Alfredo Manevy, que saiu da spcine e agora é curador da parte de mercado do Festival.

O que ele falou diz respeito a streaming.

Ele acha que renunciar a cota em streaming é uma grande besteira (que o MinC já fez, mas pode rever).

Porque a TV paga vai se esgotar, setor filmes, em coisa de 5 anos.

O Manevy não fala da boca pra fora. Reflete estudos feitos em várias partes do mundo.

Diz que os países mais avançados já estão fazendo regulamentações que protegem seus produtos nacionais.

Isso é uma coisa importante. Especialmente num momento em que o cinema brasileiro vem, enfim, afirmando uma dramaturgia forte no tempo contemporâneo e essa dramaturgia começa a ser reconhecida e assimilada em outros lugares.

Trata-se de uma questão de Estado, pois, dar continuidade a certas políticas de incentivo.

Eu sei que Temer tem razões para se queixar do cinema brasileiro e odiá-lo.

Mas, caramba, ele tem razões de sobra para odiar praticamente todo mundo. Ninguém gosta dele.

Voltar de Brasília

Filme Arábia, de Affonso Uchoa e Joao Dumans (foto: Vasto Mundo/Divulgação)

Sim, Brasília mostrou coisas incríveis. “Arábia” é uma pequena joia e o filme do Adirley, “Era uma Vez Brasília” o consolida como um dos melhores cineastas brasileiros na atualidade.

Aliás, a julgar pelo cinema que tenho visto, ser um dos melhores do Brasil não é tão diferente de ser um dos melhores e ponto.

Do mais, me parece que o segundo episódio de “O Nó do Diabo”, do Gabriel Martins, também de Contagem (como os diretores de “Arábia”) é muito forte. Não entendo tanto assim de horror, mas vou consultar a Laura Cánepa a respeito. O fato é que não é desse tipo de terror de susto, mas de te pegar pelas entranhas e puxar. A escravatura é o assunto.

Os debates foram uma questão à parte.

Comprovam que o velho mundo explodiu. Não há mais pensamentos universalizantes ou eles são apenas marginais. Existem as mulheres, os gays, os travestis, os sadomasoquistas, os negros. E breve, por que não, os canhotos, os carecas, etc.

Lá ouvi uma moça afirmando que tal sequência de um filme “devia ser tirada”.

Por quê? Ela é da censura?

Posso entender certa radicalidade e certa impaciência, sobretudo dos movimentos negros, porque a opressão sobre eles foi e continua sendo monstruosa. Mas seria desejável que eles contivessem esses ímpetos.

Na verdade, isso é preciso que se reconheça, trata-se de um velho hábito da esquerda: proibir, censurar, achar que isso é a solução.

No que isso é diferente dos facínoras de direita tipo MBL?

Tudo pode e dever ser mostrado. Isso não impede o exercício crítico.

Mas evita vexames, como o da moça que, ao ouvir a Rosário falar no ator Escurinho tratou logo de aponta-la como racista.

E a Rosário de explicar que Escurinho é o nome do ator, não um modo de chama-lo.

Talvez convenha ter calma nessa hora.

E pensar que os debates sobre filmes são debates de ideias, de concepções artísticas. É um ambiente fechado onde, a rigor, nada se decide.

Não vai ser estripando um filme que os negros, as mulheres, os gays ou lá quem seja conseguirão romper padrões de comportamento: é em outros lugares que isso se decide.

De todo modo é muito bom ver um filme de cineastas que vêm do morro do Salgueiro, como os Irmãos Carvalho. E que têm ideias.